
Em busca de mudanças na relação entre clientes e prestadores de serviço
“Talento não pode ser tratado como commodity”. Com essa frase, Zezinho Mutarelli, sócio da Sax So Funny e diretor da Associação Brasileira das Produtoras de Fonogramas Publicitários, deu início aos trabalhos da comissão “Prestadores de serviços e sua relação com agências e clientes”, na qual o primeiro conferencista foi Washington Olivetto (na foto), chairsman da W/Brasil. Mutarelli, que ressaltou a importância dos prestadores de serviço na realização dos trabalhos publicitários, mostrou-se descontente com a atual relação entre clientes e empresas do setor. “Falta respeito aos ideais dos criadores e aos direitos autorais”, afirmou, acrescentando: “Precisamos lidar com exigências cada vez mais absurdas dos clientes, como pouca verba e pouco tempo. Isso fatalmente gera um trabalho sem qualidade”.

Fazendo um retrospecto da propaganda nos anos 60 e 70, Olivetto usou o palco para colocar outro assunto em pauta: a necessidade de se resgatar a auto-estima da publicidade brasileira. “O mercado precisa se unir, trabalhar junto. Se isso não acontecer, continuaremos criando novos talentos sem seriedade e perdendo velhos talentos por desleixo”, proclamou.
Segundo Mutarelli, a produção é tratada com desdenho pelos anunciantes. “Apenas 2% do orçamento é voltado para a produção. Isso sem contar o nível de qualidade exigido em um curtíssimo espaço de tempo”, lembrou.
O assessor jurídico da Abap, Abrafoto, Aprosom, APP, Sindapro-SP e sócio da Paulo Gomes de Oliveira Filho Advogados Associados, Paulo Gomes de Oliveira Filho, que representa várias das partes envolvidas na discussão, deu um parecer sobre a atual norma voltada aos direitos autorais. “Os direitos autorais são de todos os participantes, desde as agências até as produtoras de som e de filme, fotógrafos, atores e modelos. Estamos aqui, reunidos, para garantir a aplicação efetiva desses direitos”, enfatizou.
Por fim, Mutarelli apresentou a tese aos congressistas presentes. Cláusulas como a garantia de boas condições de trabalho aos prestadores de serviço, tais como não atraso no pagamento, foram votadas e aprovadas pelos presentes. Mudanças na forma de lidar com as obras internacionais veiculadas no Brasil também foram sugeridas. De acordo com a recomendação, será exigida a produção de uma nova trilha sonora, brasileira, e o fomento de pelo menos uma diária de filmagem feita por uma produtora brasileira cadastrada na Ancine.
Segundo Muratti: “Há luz no fim do túnel”.
(Matéria da Heloísa de Oliveira. Via Portal da Propaganda)
Será?