PAN CINEMA PERMANENTE - Eu indico!
por Filipe Bezerra em 14/04/2009 | Outros

Compondo a programação de um domingo qualquer, lá fui eu ao Espaço UNIBANCO - local recém inaugurado em Salvador e que costuma oferecer boas opções de filmes, de todos os circuitos. Já fui até lá sabendo o que eu queria ver: o último documentário dirigido por Carlos Nader, “Pan Cinema Permanente”, um registro da história de vida e poesia do baiano, Waly Salomão. Waly nasceu em Jequié, interior do estado. É filho de pai sírio e formado em direito - apesar de nunca ter exercido a profissão. Após a faculdade se mandou para o Rio de Janeiro - sempre o Rio de Janeiro - e tropeçou em trancos e em barrancos para se afirmar como um poeta.

O que mais me chamou atenção foi a coragem do artista de viver sua vida segundo suas próprias regras. Vivendo na pele de personagens de si mesmo, a vida pra ele era uma ficção permanente. Ele era capaz de se reiventar e de se comportar como quisesse. Caetano Veloso o classificou como “excessivo”, mas não sem confessar a imensa saudade do amigo perdido - que faleceu em 2003. O documentário é uma colcha de retalhos construída a partir de imagens captadas pelo diretor durante a longa convivência com o poeta. O jogo de imagens provoca um efeito caleidoscópico que se envolve na exibição de alguns dos textos produzidos por Waly. Textos narrados, em sua maioria, pelo também amigo, Antônio Cícero.Honestamente, vale a pena ver.
