Arquivo Mensal: Maio de 2008

 

Esperança x Mudança

Tuppi Propaganda. Existem algumas razões pra essa agência ter recebido esse nome. “Tuppi” é uma tentativa de aproximar nossa identidade da imagem desse país chamado Brasil. Foi um jeito de reafirmar nossos valores culturais e de demonstrar nosso respeito por essa nação grandiosa e apaixonante. Infelizmente, tudo isso que nos inspira, às vezes é posto sob a sombra de fatos lamentáveis. E é movido por um acontecimento recente que hoje passarei a acompanhar atentamente uma disputa que é travada nesse país: Esperança x Mudança. A partir de hoje, cada vez que eu souber de algum fato ou notícia que tenha contribuído para transformação e melhoria desse país, a Mudança marcará 1 ponto. Quando for o contrário, e esse acontecimento aumentar ainda mais a gravidade da nossa situação, será a Esperança quem marcará 1 ponto. E quanto a isso, talvez eu deva dar maiores explicações.

Pois bem. Pra mim, a esperança é um sentimento oportunista. Ela se aproveita dos momentos de tristeza e decepção pra moderar a gravidade e o absurdo das situações. Ela nos faz aguardar. Nos transforma em agentes passivos e, às vezes, conformado. É quando algo de ruim acontece que nos apegamos à ‘esperança’. Quando algo não vai bem, é a esperança que nos faz crer que aquilo poderá mudar. Porque é isso que nós queremos: a mudança. Ou alguém que está feliz tem ‘esperança’ de ver sua vida de outro jeito? Por isso é que estou convencido: a esperança nos acomoda. A mudança nos transforma.

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Esperança 1 x 0 Mudança | A disputa continua

Será que é possível dizer, numa mesma frase, que uma freira norte-americana que vivia no Brasil e participava de ações de apoio aos sem-terra foi morta a tiros em 2005, no Pará, mas graças ao trabalho da policia, 2 homens foram presos após confessarem o crime que, para o Ministério Público, foi cometido a mando do patrão, o fazendeiro Vitalmiro Bastos, condenado a 30 anos de prisão e em seguida absolvido após um 2º julgamento? No Brasil, é. E isso me revolta!

Se a Esperança marca 1 ponto, é sinal de que as coisas ainda precisam mudar.

Ram’on ice

Fischmann clicou o nosso amigo Ramon Anjos sofrendo com o ar-condicionado da agência. Vai, sacana!

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Só na Bahia

A entrevista concedida pelo professor Antônio Natalino Dantas, do curso de medicina da UFBA, fez muita gente se sentir ofendida. O professor declarou à um programa da rádio Band News que o mau desempenho dos estudantes de medicina daquela faculdade estava relacionado a uma deficiência de QI do povo baiano. Não ficou só por aí. O professor também fez comentários a respeito do Olodum, a respeito do berimbau e da incapacidade do baiano em promover o desenvolvimento da Bahia como um todo.

Pois bem. É provável que muitos tenham ficado estarrecidos, como também é bem provável que muitos por aí tenham dito coisas do tipo “é isso mesmo”, “baiano não quer nada”.

O professor não tem mais vinte e poucos anos e é bem possível que, apesar de preconceituosas, suas declarações sejam apenas o reflexo de alguns traços de personalidade que, não raro, acompanham a chegada da idade. Um senhor rabugento - se é que assim fica mais claro.

Eu, pessoalmente, não escuto o Olodum quando estou em casa. Nem tão pouco tenho um berimbau pendurado na parede da sala. Confesso, inclusive, que não me identifico com a imagem estereotipada que foi forjada para representar o povo da Bahia. E, como muitos, tenho severas críticas a um monte de coisas que me incomodam nessa terra. Acima de tudo, porque quero vê-la crescer. Mais e melhor.

Baiano eu sou. Vou em festas e como acarajé. Mas não jogo capoeira, não sei quem é Iansã, nem nunca decorei o hino do Senhor do Bonfim. Isso só para citar alguns amuletos da imagem recorrente. Pra ser honesto, me agrada saber que eu não sou igual. Me agrada saber que “ser baiano” é ser muita coisa. É isso que me orgulha em ter nascido aqui: saber que não há ninguém igual a nós.

Costumo dizer que a Bahia está para o Brasil, como o Brasil está para o mundo. E para esse professor, eu gostaria de dizer que Caetano Veloso, em mil novecentos e Gilberto Gil, foi altamente Jorge Amado pela maneira Rui Barbosa como se Milton Santos. Enquanto o senhor se Raul Seixas, a Bahia se Gal Costa abertamente, nesse Elsimar Coutinho que os tempos de Bethânia nos João Gilberto. Portanto, eu Leleco que todos me Nizan Guanaes, na tentativa de Glauber Rocha um pouquinho mais a Bahia. Porque de Carlinhos Brown em Carlinhos Brown, se faz um Castro Alves.  E Waly Salomão, daquele que disser o contrário!

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