Só na Bahia
por Filipe Bezerra em 01/05/2008 | Política
A entrevista concedida pelo professor Antônio Natalino Dantas, do curso de medicina da UFBA, fez muita gente se sentir ofendida. O professor declarou à um programa da rádio Band News que o mau desempenho dos estudantes de medicina daquela faculdade estava relacionado a uma deficiência de QI do povo baiano. Não ficou só por aí. O professor também fez comentários a respeito do Olodum, a respeito do berimbau e da incapacidade do baiano em promover o desenvolvimento da Bahia como um todo.
Pois bem. É provável que muitos tenham ficado estarrecidos, como também é bem provável que muitos por aí tenham dito coisas do tipo “é isso mesmo”, “baiano não quer nada”.
O professor não tem mais vinte e poucos anos e é bem possível que, apesar de preconceituosas, suas declarações sejam apenas o reflexo de alguns traços de personalidade que, não raro, acompanham a chegada da idade. Um senhor rabugento - se é que assim fica mais claro.
Eu, pessoalmente, não escuto o Olodum quando estou em casa. Nem tão pouco tenho um berimbau pendurado na parede da sala. Confesso, inclusive, que não me identifico com a imagem estereotipada que foi forjada para representar o povo da Bahia. E, como muitos, tenho severas críticas a um monte de coisas que me incomodam nessa terra. Acima de tudo, porque quero vê-la crescer. Mais e melhor.
Baiano eu sou. Vou em festas e como acarajé. Mas não jogo capoeira, não sei quem é Iansã, nem nunca decorei o hino do Senhor do Bonfim. Isso só para citar alguns amuletos da imagem recorrente. Pra ser honesto, me agrada saber que eu não sou igual. Me agrada saber que “ser baiano” é ser muita coisa. É isso que me orgulha em ter nascido aqui: saber que não há ninguém igual a nós.
Costumo dizer que a Bahia está para o Brasil, como o Brasil está para o mundo. E para esse professor, eu gostaria de dizer que Caetano Veloso, em mil novecentos e Gilberto Gil, foi altamente Jorge Amado pela maneira Rui Barbosa como se Milton Santos. Enquanto o senhor se Raul Seixas, a Bahia se Gal Costa abertamente, nesse Elsimar Coutinho que os tempos de Bethânia nos João Gilberto. Portanto, eu Leleco que todos me Nizan Guanaes, na tentativa de Glauber Rocha um pouquinho mais a Bahia. Porque de Carlinhos Brown em Carlinhos Brown, se faz um Castro Alves. E Waly Salomão, daquele que disser o contrário!

Lucas de Ouro em 02/05/2008 às 09:39 #
falou e disse!
Luciano Midlej em 04/05/2008 às 13:35 #
Talvez o professor tenha sido infeliz em colocar sua opinião daquela forma. Acredito que como é uma pessoa com mais idade, tenha uma forma mais “bruta” de se expressar.
Quanto ao QI é algo sem comentários…quem ainda usa isso?! Sou baiano, não tenho nenhum orgulho disso, mas sacanear dessa forma também não dá! Com relação ao berimbau e a “cultura baiana” (que para a grande maioria, se resume a música afro ou axé) por mim junta tudo e guarda numa caixa. Não me faria falta.
Mas tem o acarajé (Isso é bom!)! Tem o Raul! Tem até o Nizan! Então, salve a Bahia! E que ela seja melhor para os baianos…
Paulo Diniz em 15/05/2008 às 17:42 #
Rapaz, quando eu tava lendo o texto, eu ia lançar essa de “Bahia está para o Brasil como o Brasil está para o mundo”, aí vejo isso lá no final hahaha.
A Bahia deve ser o estado mais estereotipado do Brasil. E dá-lhe axé, afro, capoeira, acarajé… da mesma forma que o Brasil lá fora é samba, futebol e putar**.
Só que eu tenho orgulho da minha terra sim, mais um amor cego do que qualquer outra coisa, porque sei que ela tem graves problemas. Mas eu penso muito nessa forte caracterização que temos no Brasilzão afora. Baiano é top of mind no Brasil, SEMPRE lembram da gente hahaha. Eu acho isso do caralho!
E mesmo esse “baiano típico” sendo bem diferente do que eu sou, costumo defender enfaticamente tudo que é baiano aqui em São Paulo. Rende bastante diálogo também.
Pra fechar… esse último parágrafo foi bem estilo Sancho hein Bezerra, se fosse ela que tivesse escrito, o que diria?HAHAHAHAHA!